segunda-feira, 17 de abril de 2017

Slide - Apostila MB 7 - Igreja - Capítulo 4

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos ajude a vivermos como irmãos!

Iniciando nosso quarto capítulo da apostila 7 do módulo básico, IGREJA, falemos agora sobre a 'estrutura e organização da Igreja', da nossa Igreja, inspirada e guiada pelo próprio Senhor.

Podemos acompanhar pela Palavra que o próprio Jesus instituiu a Igreja e a confiou a autoridade de Pedro e dos demais apóstolos, conforme o Evangelho de São Mateus. Em Atos dos Apóstolos presenciamos também que, devido a necessidade, foram constituídos o serviço da diaconia através escolha de 7 homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo.

Abaixo segue um cântico usado em muitas Santas Missas, principalmente em Ordenações, que mostra a força a Esposa Imaculado do Cordeiro Imaculado. Fique com ele ao longo desta postagem.


1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA: ASPECTOS GERAIS - Nos primeiros séculos, no ano 330 o imperador Constantino se converteu dando liberdade de culto aos cristãos. Após isso a Igreja ao invés de perseguida passou a ser apoiada e muitos nobres, por testamento ou por ingresso na vida monástica, doavam seus bens a Igreja e esta foi acumulando um considerável "Patrimônio de São Pedro".

Em 756, o pai de Carlos Magno, Pepino o Breve, após derrotar os lombardos, confirmou o Papa sobre a posse deste patrimônio.

Em 800, Carlos Magno foi coroado pelo Papa Leão III imperador do Império Romano. O mesmo reconhecia o Estado Pontifício que durou de 756 a 1870, quando foi invadido e dominado por Vítor Emanuel II, que despojou 2/3 de seu território.

De 1870 a 1929 foi um período de grande tensão entre a Igreja e o governo italiano, tendo fim em 11 de fevereiro de 1929, quando foi assinado o Tratado de Latrão, que deu autonomia ao Papa e reconhecendo sua soberania absoluta sobre a cidade do Vaticano e alguns prédios e Basílicas de Roma, sendo formado assim o menos Estado independente do mundo com 0,44 km².

Apesar da minúscula área, este território permite a Igreja manter sua independência e liberdade frente a qualquer poder terrestre.

2 A IGREJA UNIVERSAL -

a) O Vaticano - A Igreja tem, no âmbito universal, a sua sede na Cidade Estado do Vaticano tendo
como chefe a figura do Papa, como lei a Lei Fundamental da Cidade do Vaticano e se faz reger pelo Código de Direito Canônico.

b) O Papa - A partir do Concílio Vaticano II, ficou definido que só pode votar e ser votado no Conclave os membros do colégio cardinalício e, por sua vez, para ser um cardeal necessariamente precisa ser um bispo. Enquanto o Conclave não elege um novo Papa, a Cathedra de Pedro fica vacante, o que chamados de "Sé Vacante". Portanto, o Papa é o bispo de Roma e, por sua vez, um cardeal, sendo que o título de cardeal é apenas honorífico, não definindo nenhum grau de hierarquia.

Foi definido ainda por Paulo VI que a idade máxima para participar do Conclave é de 80 anos, mesmo a idade máxima para um bispo estar a frente de uma diocese ser de 75 anos.

c) Colégio dos Bispos - Marcado por uma relação de união e não de submissão, o Colégio Universal dos Bispos é formado por todos os bispos do mundo em unidade com o Bispo de Roma e exerce seu poder sobre toda a Igreja e de modo solene no Concílio Ecumênico.


d) O Sínodo dos Bispos - A reunião dos bispos em uma assembleia dá-se o nome de Sínodo e é realizado para promover o estreitamento e a união de todos ou para tratar de algum assunto específico.

e) A Cúria Romana - Envolve os órgãos da administração da Igreja, ou os Dicasterios, como a Secretaria do Estado, as Congregações, os Tribunais, os Conselhos e os Ofícios.

f) A Sé Apostólica ou Santa Sé - É o nome dado a cúpula administrativa da Igreja que envolve o Papa, a Secretaria de Estado, o Conselho para Negócios Públicos bem como os demais organismos da Cúria Romana.

g) Os Legados do Romano Pontífice - Por ser um Estado Independente, a Igreja mantém representação diplomática em vários países. Também se faz presente através dos Legados Papais que são pessoas nomeadas diretamente pelo Papa para em seu nome praticar atos determinados por este.

3 IGREJAS PARTICULARES -
a) No período da Igreja Primitiva o Império Romano usava o termos "diocese" para se referir a regiões administrativas. Hoje utilizamos este termo para designar um território sob a responsabilidade pastoral de um bispo, responsável por administrar os Sacramentos, preservar, divulgar e proteger a Sagrada Doutrina junto a multidão dos fiéis que nela residem.

b) Os Bispos - Sucessores diretos dos apóstolos e pastores da Igreja com o múnus de ensinar e governar em comunhão com os demais bispos e o bispo de Roma.

Eles são escolhidos diretamente pelo Papa ou este aprova e confirma sua eleição. Para ordenar um bispo é necessário pelo menos mais 2 outros bispos.

Por unidade com o Papa, cada bispo precisa se apresentar pelo menos 1 vez a cada 5 anos para a "visita ad limina".

c) Entidades que Congregam Igrejas Particulares - Uma Província Eclesiástica ou Região Eclesiástica é o nome que se dá a unidade das dioceses próximas para promover a ação pastoral comum e estimular as relações entre os bispos.

Em geral, a sede da Província Eclesiástica é chamada de Arquidiocese e o seu Bispo de Arcebispo metropolitano. As demais dioceses que a compõe são chamadas de sufragâneas e seus bispos de sufragâneos. Normalmente, na Arquidiocese que se encontra o tribunal eclesiástico.

Além das províncias, encontramos também as Conferências dos Bispos, que é a união de bispos de um território ou país que se unem em caráter permanente para exercerem em conjunto as funções pastorais pelo território que atuam.

A CNBB surgiu em 1952 e é hoje uma das conferências com estrutura mais desenvolvida do mundo e, para melhor desempenhar sua função, achou por bem dividir o território em 17 regiões.

d) Da Organização Interna das Igrejas Particulares - As Dioceses também possuem estruturas similares as da Santa Sé e da Cúria Romana:

- O Sínodo Diocesano: Uma assembleia de sacerdotes e de outros fiéis da Igreja particular escolhidos para auxiliar o Bispo diocesano para o bem de toda a diocese;

- A Cúria Diocesana: É o organismo responsável pela administração da diocese, sendo formado pelo Vigário Geral (auxilia o bispo no governo diocesano), Chanceler (responsável por redigir, despachar e arquivar os atos da cúria), Conselho Econômico (presidido pelo Bispo e responsável pelos assuntos econômicos da diocese) e o Ecônomo (perito em economia e insigne por sua probidade);

- Outros Organismos da Diocese: temos o Conselho Presbiterial (um grupo de padres que representam o presbitério e auxiliam o Bispo no governo da diocese), o Colégio dos Consultores (alguns sacerdotes membros do Conselho Presbiterial e escolhidos pelo Bispo para consulta) e o Conselho Pastoral (formado por fieis em plena comunhão com a Igreja Católica).

- A Paróquia: É a menor fração territorial da diocese, administrada por um Pároco (um presbítero) que exerce sua função sacerdotal e administrativa em nome do bispo, além de administrar os sacramentos.
Entre os organismos paroquiais temos: O Conselho Pastoral (formado por fiéis que auxiliam o pároco na ação pastoral da Paróquia, é apenas consultivo e segue as normas do Bispo diocesano) e o Conselho Econômico (formado por fiéis que auxiliam o pároco na administração dos bens materiais da Paróquia e segue as normas do Bispo diocesano).

4 CONCLUSÃO

Como é bom conhecer mais da nossa Igreja quanta graça e quanta bênção o Senhor tem feito em nossas vidas através desta apostila do módulo básico. Que pena que tão poucas pessoas a conhecem.

Quero te convidar a divulgar esta apostila e todo o processo formativo da RCC para seus irmãos de grupo de oração. Deus quer se mostrar a cada um! Espero vocês no próximo capítulo e até lá!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"



domingo, 16 de abril de 2017

Slide - Apostila MB 7 - Igreja - Capítulo 3

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos ajude a sermos Igreja neste novo milênio!

Após um vasto capítulo estudando a história da Igreja, desde os tempos apostólicos até a idade Moderna, entremos agora na reta final, analisando "a Igreja no século XX e início do novo milênio". Apesar de ser um período de avanços, também foi um período de muito sofrimento, uma vez que junto com as pessoas a Igreja enfrentou as 2 Guerras Mundiais. Vamos aprofundar neste período.

1 O PERÍODO DAS GUERRAS MUNDIAIS - Tivemos 5 papas desde o início do século XX até o fim da Segunda Guerra Mundial, cada um com seus desafios a serem enfrentados:

a) O Papa Leão XIII (1878-1903) - O Papa conciliador, que conseguiu acalmar e resolver boa parte dos problemas existentes na Igreja, sendo conhecido também como o "Papa das encíclicas sociais", pois escreveu a primeira encíclica social da Igreja, Rerum Novarum. Escreveu também em 1884 a encíclica Humanun Genus, sobre a maçonaria, denunciando-a como uma seita inimiga do reino de Deus.

Outro ponto importante que estudamos em IDENTIDADE DA RCC é que o Papa Leão XIII foi o destinatário das 13 cartas escritas pela hoje Beata Elena Guerra sobre o Espírito Santo. Fruto desta correspondência são 3 documentos sobre o Espírito Santo:
1 - O Breve Provida Matris Charitate (1895) - onde convida a rezarem a Novena de Pentecostes;
2 - A Encíclica Divinum Illud Múnus (1897) - primeira Encíclica sobre o Espírito Santo;
3 - Carta aos Bispos Ad Fovendum in Cristiano Populo - em que reforça as recomendações anteriores.

O Século XX teve início com a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus e com a invocação do Espírito Santo através com canto gregoriano do século IX, Veni Creator.

b) O Papa Pio X (1903-1914) - atentou-se para uma renovação religiosa e a defesa contra erros.

c) O Papa Bento XV (1914-1922) - O seu papado ocupou-se principalmente da resistência a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Também preocupou-se com a necessidade de alterar os métodos missionários.

d) O Papa Pio XI ( 1922-1939) - Num mundo marcado pelo fim de uma guerra e a eminência de outra, busca através de seu pontificado "a paz de Cristo no Reino de Cristo". Institui a festa de Cristo Rei para e dá um novo impulso as missões. Em 1929 a Igreja recebe a soberania da Cidade do Vaticano através do Tratado de Latrão, assinado entre a Santa Sé e o governo italiano.

O período pós e pré guerra trouxe alguns governos totalitários, como o Nazismo Alemão, o Fascismo Italiano e o Bolchevismo Marxista. Estes governos eram marcados por uma cultura totalmente ateísta e um total desprezo pela dignidade humana. Apesar de alguns acusarem a Igreja de ser permissiva com estes governos a mesma sempre os condenou abertamente, podendo citar a Encíclica Mit Brennender Sorge, onde condenava o caráter anticristão destes governos.

Com a derrota do Fascismo e do Nazismo na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Comunismo pode avançar livremente pela Europa.

e) O Papa Pio XII (1939-1958) - Marcado pela Segunda Guerra Mundial, pela opressão do Nazismo e pelo avanço do Comunismo, seu papado foi de intensa articulação. Escreveu cartas aos governantes europeus buscando uma solução pacífica ao conflito, fazendo isso até publicamente através de vários apelos a paz mundial. Apesar de manter a Santa Sé afastada de todo o conflito deu asilo a mais de 5000 judeus durante toda a perseguição nazista.

Em 1942, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria e em 1950 proclama o Dogma da Assunção de Maria aos céus de corpo e alma.

Em 1952 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é organizada e em 1955 é realizada a primeira Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM) no Rio de Janeiro.

2 JOÃO XXIII E O CONCÍLIO VATICANO II - Falemos agora dos nossos últimos 6 Papas:

a) O Papa de Transição - Dito como um papa apenas de transição para esperar que surgisse alguém mais preparado para assumir a cathedra de Pedro, é eleito João XXIII (1958-1963). Realmente um papa de transição, uma transição que revigorou a Igreja de tal forma que até os dias de hoje podemos beber de suas consequências.

b) O Estilo de João XXIII - João cativou o mundo com sua bondade humana e sua preocupação de pastor, com encíclicas como Mater et Magistra, sobre a questão social e econômica, e Pacem in Terris, sobre os direitos humanos e principalmente com a convocação do Concílio Vaticano II através da Constituição Apostólica Humanae Salutis, inaugurado em 11 de outubro de 1962 e encerrado em 07 de dezembro de 1965 por seu sucessor Paulo VI.

c) O Concílio e seus Documentos - Num mundo cercado de incertezas, a Igreja quer ser o farol e responder aos nossos questionamentos. Reformulando o modo de pensar e de agir de leigos e do clero, o Concílio foi realmente uma resposta de Deus ao clamor de João XXIII em sua oração de abertura do mesmo.
"Repita-se deste modo, na família cristã, o espetáculo dos apóstolos em Jerusalém, depois da ascensão de Jesus aos céus, quando a Igreja nascente se viu toda unida em comunhão de pensamento e de preces com Pedro e ao redor de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas. E digne-se o divino Espírito ouvir da maneira mais consoladora a oração que todos os dias sobe de todos os recantos da terra: 'Renova em nossa época os prodígios, como em novo Pentecostes; e concede que a Igreja santa, reunida em unânime e constante oração junto a Maria, Mãe de Jesus e guiada por Pedro, difunda o reino do divino Salvador, que é reino da verdade, de justiça, de amor e de paz. Amém!"
d) O Concílio como Novo Pentecostes - As principais característica do Concílio como um novo de Deus foram:
- Uma nova concepção da Igreja como comunidade, inserida no mundo a serviço do Reino;
- A superação da concepção entre Igrejas da cristandade e Igrejas das missões, pelo reencontro da consciência de uma Igreja toda e sempre missionária;
- A consciência mais clara de que a Igreja não é só a hierarquia, mas todo o Povo de Deus;
- A redescoberta da Igreja Particular ou local, como realização viva e característica da Igreja Universal;
- A atenção de uma nova linguagem catequético-litúrgica;
- A valorização do mundo e das realidades terrestres e o reconhecimento de sua justa autonomia;
- A abertura ao ecumenismo e ao diálogo com as religiões e culturas.

e) O Papa Paulo VI (1963-1978) - Foi o Papa que continuou a maior parte do Concílio Vaticano II e em 1968 elaborou o chamado "Credo do Povo de Deus" para coibir abusos no seio da Igreja Pós-conciliar.

Paulo VI foi o primeiro papa a viajar amplamente pelo mundo procurando diálogo com cristãos e não-cristãos, sendo chamado de o Papa Peregrino. Através de sua Encíclica Humanae Vitae combateu os métodos contraceptivos e o controle de natalidade.

Colocou a Igreja em marcha missionária através de sua exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, onde exortou que a missão evangelizadora é um dever para a Igreja, visto que a salvação dos homens que está em causa.

f) O Papa João Paulo I (1978-1978) - O Papa Sorriso, como ficou conhecido, teve um pontificado de 26/08/1978 a 28/09/1978 pois morreu repentinamente nos aposentos papais.

g) O Papa João Paulo II (1978-2005) - Pelo seu carisma e habilidade para lidar com os meios de comunicação, suas mais de 100 viagens apostólicas, seu diálogo inter religioso, do diálogo com os jovens, é considerado o papa mais popular da história.

Podemos destacar entre seus legados a Exortação Apostólica Christifideles Laici (1988) sobre a missão do leigo na Igreja, a Encíclica Redemptoris Missio (1990) onde convoca a todos a missão, a Exortação Apostólica Novo Millenio Ineunte (2001) sobre a posição do missionário da Igreja no início do novo milênio.


h) O Papa Bento XVI (2005-2013) - Profundamente culto e centrado na doutrina e fé católicas, é reconhecido como um dos maiores teólogos dos últimos tempos. Sob o impulso do Espírito Santo, convocou a Igreja a se debruçar sobre a sua Fé, revigorando-a, aprofundando-a e celebrando-a, convocando o Ano da Fé para a Igreja Católica do mundo inteiro através da Carta Apostólica Porta Fidei em comemoração aos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II.

Em 28 de fevereiro de 2013 renunciou ao pontificado, sendo o Papa Emérito Bento XVI.

i) O Papa Francisco (2013...) - Num Conclave que durou 26 horas, o cardeal Jorge Bergoglio de 76 anos de idade, então Arcebispo de Buenos Aires, Argentina, foi eleito como o primeiro papa latino da história da Igreja. Inspirado por São Francisco de Assis, tem promovido uma criteriosa reforma na Cúria Romana e um grande pontificado baseado na humildade e na misericórdia.


3 A IGREJA NA AMÉRICA LATINA -
a) A Assembléia dos Bispos no Rio de Janeiro - Em 1955 ocorreu a primeira Conferência do Episcopado Latino Americano (CELAM), como uma nova experiência de comunhão entre os Pastores da Igreja na América Latina.

b) As Assembleias em Medellín / Puebla / Santo Domingo - Em 1968 a Assembleia é realizada em Medellín na Colômbia, onde o foco era buscar novas formas de agir e pensar para que o leigo possa cumprir sua missão, com novas experiências de vida comunitária, propondo que as paróquias se organizassem em CEB´s, tomando especial preocupação com a formação de líderes e dirigentes.

Já as Assembleias Episcopais em Puebla (1979) e Santo Domingo (1992) teve foco em tratar sobre o crescimento das seitas.

c) O Desafio das Seitas e o Sincretismo Religioso - Quando falamos em sincretismo estamos falando de uma situação em que tudo é permitido desde que se reconheça alguma divindade, independente se seja o próprio Deus ou um deus qualquer, misturando os aspectos sérios e comprometidos com fanatismos e crendices.

Embora isto demonstre um desejo de Deus, pode-se cair no erro de pensarmos que "tudo é bom desde que se acredite em Deus, toda religião é boa". Não podemos cair neste erro de ver Jesus como espírito de luz e não como o Senhor, o Verbo Encarnado.

Para que possamos vencer esta situação, faz-se urgente que sejamos leigos compromissados em ser testemunhas verdadeiras de Cristo para o mundo. Esta é nossa responsabilidade.

d) A V Conferência em Aparecida - Com o tema "Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, para que neles nossos povos tenham vida" ocorreu em 2007 e teve grande foco na alegria de ser discípulo, uma honra. A Igreja nos chama a desinstalar de nossa acomodação e lançarmo-nos a missão, de maneira especial no nosso grupo de oração, um "caloroso espaço de oração comunitária que alimenta o fogo de um ardor incontido (DA 362)".

4 A EXPERIÊNCIA DA RCC - A RCC através da experiência do Grupo de Oração tem sido um passo importante na conquista e conversão de corações angustiados para o Cristo de Deus. Tem auxiliado também inúmeros a criarem raízes em sua fé, evitando caminhos paralelos e conflitantes, como disse São João Paulo II em 1991 a mais de 300 bispos:
"Precisamos ter uma ação mais eficaz contra a ignorância e a carência de doutrina que deixa o povo vulnerável à sedução das seitas".
5 CONCLUSÃO

Após mais este capítulo, terminamos a história da Igreja ao longo dos séculos. No próximo encontro falaremos sobre a "estrutura e organização da Igreja". Vamos para a segunda metade desta apostila tão rica!!!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Slide - Apostila MB 7 - Igreja - Capítulo 2

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos ajude a conhecer mais e mais a história de nossa Igreja!

Continuando nosso módulo básico de Igreja, vamos agora adentrar na 'visão histórica da Igreja', desde os primeiros cristãos até a reforma, mesmo que alguns pontos sejam difíceis de tratar. E a história é longa, por isso não podemos demorar aqui.

1 A IGREJA NO MUNDO ANTIGO - Como sabemos, A Igreja nasce do peito aberto de Jesus na cruz após a instituição da Eucaristia (CIC 766) e se manifesta publicamente em Pentecostes. Este é o início, o surgimento da Igreja na Palestina, uma província Romana, cujo império se estendia do Oceano Atlântico, até partes da África e Ásia.

O Império Romano sempre se destacou por alguns pontos estruturais de destaque: a boa comunicação, estradas, o Direito Romano, o poderio militar, o uso do latim (língua oficial) e do grego. Todas estas características favoreceram a expansão da Igreja em seu início.

Esse primeiro momento também foi duro, pois os primeiros cristãos eram judeus e quando pretendeu-se abrir o cristianismo também aos gentios quase surgiu a primeira divisão na Igreja, que precisou ser resolvida no primeiro Concílio Ecumênico, o Concílio de Jerusalém.

Também surge nesta época as primeiras perseguições e a preocupação de se defender dos cismas (separações por questões disciplinares) e das heresias (separações por questões doutrinárias).


A partir do século II, tem-se início ao período que chamamos de Patrística, os santos pais e mães da Igreja.

Em ordem cronológica, temos:
Período
Imperador
Acontecimento na Igreja
54 a 68
Nero
- Pedro e Paulo são martirizados;
- Muitos cristãos são mortos distração para os romanos.
98 a 117
Trajano
- Morte a quem se proclamasse cristão;
- Santo Inácio de Antioquia (98-117) é entregue aos leões no Coliseu. O santo era discípulo de João e defendia a unidade da Igreja, a primazia da Sé Romana, a divindade de Jesus contra o docetismo, e a guarda do domingo;
- São Justino Mártir (100-165), morreu decapitado e defendia a guarda do domingo, a celebração da Eucaristia como culto perpétuo do cristão.
161 a 180
Marco Aurélio
- Condenação e martírio de inúmeros cristãos;
- São Policarpo de Esmirna (69-155), martirizado na fogueira;
- Santo Irineu (130-202), combateu fortemente o Gnoticismo.
180 a 193
Cômodo
- Vários cristãos foram martirizados.
193 a 211
Sétimo Severo
- Martirizadas Felicidade e Perpétua por decapitação por não renunciarem a fé cristã;
- Tertuliano (160-220), introdutor do termo Trindade e pessoas no estudo da Trindade e também defende a Igreja como Mãe;
- Clemente de Alexandria (150 a 215), defendeu a vivência fraterna e a repartição das riquezas entre os homens;
- Orígenes, defendia o batismo dos recém-nascidos, o primado de Pedro, a virgindade perpétua de Maria.
249 a 251
Décio
- Para animar o exército e os civis, o imperador obrigou a todos fazerem sacrifícios aos deuses. Os cristãos que se recusavam eram martirizados.
253 a 260
Valeriano
- Proibição de culto e reuniões dos cristãos, obrigando-os a oferecer sacrifícios aos deuses;
- Cipriano de Cartago, foi fiel ao Papa Cornélio e uniu os bispos a Roma contra o anti-papa Novaciano;
- O papa Sixto e seu assistente diácono Lourenço, que foram martirizados. Lourenço apresentou os pobres como a grande riqueza da Igreja.
261 a 283
Galiano
- Publicação do Édito de Tolerância.
284 a 305
Diocleciano
- Maior perseguição aos cristãos já registrada;
- Cosme e Damião, médicos, são martirizados;
- Eulália de Mérida, virgem, torturada e morta aos 12 anos;
- Pantaleão de Nicomédia, decapitado aos 23 anos;
- Inês de Roma, decapitada;
306 a 337
Constantino
- Em 313 foi promulgado o Édito de Milão, dando liberdade de culto aos cristãos;
- Surge a heresia do Arianismo, no qual o presbítero Ario defendia que Deus era apenas Pai, e que Jesus havia sido adotado como Filho;
- Concílio de Nicéia (325), onde foi elaborado o Símbolo da Fé (Credo).
379 a 395
Teodósio I
- Assinou o Édito de Tessalônica, tornando o cristianismo a religião oficial do Império Romano;
- Hilário de Poitiers (300-368) defendia a Trindade;
- Gregório Nazianzeno (329-389) defendia a Trindade;
- Basílio de Cesaréia (329-379) defendia a consubstancialidade entre o Pai e o Filho;
- Gregório de Nissa (330-395) defendia Jesus como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, assim Maria é a Theotokos;
- Ambrósio de Milão (340-397), batizou Agostinho;
- São Jerônimo (347-420) tradutor da bíblia;
- São João Crisóstomo (349-407), pai da Doutrina Social da Igreja;
- Santo Agostinho de Hipona (354-430), grande doutor da Trindade.
527 a 565
Justiniano I
- Últimos resquícios de resistência foram aniquilados.

No século V, sob o imperador Teodósio I, houve a divisão do Império Romano em ocidente e oriente. Esta divisão também ocasionou em divisões dentro da Igreja, pois enquanto o bispo de Roma abrangia cada vez mais liderança, o bispo de Constantinopla também passa a desejar semelhante poder. No século VI as vias de comunicação do Mediterrâneo são interrompidas e o distanciamento Roma x Constantinopla é cada vez maior.

2 A IGREJA NA IDADE MÉDIA - A época da Idade Média se divide em 3: Primeira Idade Média, Alta Idade Média e Baixa Idade Média.

2.1 - Primeira Idade Média (fim do século VII até a época do papa Gregório VII) - A Igreja passa por muita dor após perder o norte da África e o Oriente, porém muita alegria com a conversão dos germanos ao cristianismo e sua entrada na Igreja Católica.

Em 1054 a divisão entre a Igreja do Ocidente e a do Oriente se concretiza com o "Grande Cisma". Alguns fatos influenciaram esta divisão:

a) Os gregos (orientais) eram intelectuais, os latinos dados a prática;
b) Após o século IV os documentos passam a ser escritos em latim e quando traduzidos para o grego nem sempre eram fiéis;
c) O calendário da páscoa divergia entre ambos;
d) Na Eucaristia, a matéria era o pão ázimo para a Igreja latina e o pão fermentado para os gregos;
e) O celibato sacerdotal só era observado no Ocidente;
f) Para os orientais, a barba era de suma importância;
g) Os Orientais não aceitavam que o Espírito Santo procede do Filho também.

Em 1054 o Papa Leão IX enviou uma delegação a Constantinopla, porém o Patriarca Miguel Cerulário não aceitou o diálogo e no mesmo ano, foi promulgada a bula de excomunhão.

Com o sistema feudal, o poder da Igreja também passa a influenciar no poder temporal, no senhorio do feudo.

2.2 - A Alta Idade Média (século XI ao século XII) - Marcada pela "Reforma Gregoriana", elaborada pelo grande Papa Gregório VII (1073-1095), marca a renovação e fortalecimento da Igreja, eliminando influências até mesmo por parte de leigos poderosos no que se dizia a investiduras e nomeações. Os conflitos de poder levaram inclusive a excomunhão e deposição do Imperador Henrique IV. Graças a esta reforma, a Igreja se via livre do comando civil.

A hegemonia do papado no Ocidente teve seu ponto culminante sob o domínio espiritual do papa Inocêncio III (1198-1216). Em compensação, o papa Bonifácio VIII teve seu extremo em relação a disputas, chegando ao ponto de ser aprisionado pelo rei da França Felipe,  o Belo.

Também temos pontos importantes nos séculos XII, XIII e XIV:
- Surgimento de novas Ordens Religiosas (Franciscanos e Dominicanos);
- Muitos Santos: São Bernardo de Claraval (1090-1153), São Boaventura (1221-1274), São Tomás de Aquino (1225-1274), São Francisco de Assis, Santa Clara, São Domingos de Gusmão, Santa Catarina de Sena;
- Construção de catedrais;
- Surgimento de Universidades;
- Início do período chamado de Escolástica, onde busca-se a harmonia entre a fé e a razão;
- É criado o Conclave dos Cardeais para Eleição do papa, o Direito Canônico.

2.3 - A Baixa Idade Média (1300 a 1500) - Este período mostrou-se um verdadeiro desafio a Igreja, onde mostrou-se pouco preparada para tratar algumas questões:
- Uma reflexão mais profunda sobre a existência do mundo. É a ascensão da Antropologia;
- A civilização e a burguesia adquire uma importância determinante para o futuro;
- A vida eclesiástica encontrava-se numa fase de certezas abaladas, mas não certezas de fé;
- O "Grande Cisma do Ocidente", no qual 3 papas disputaram o seu reconhecimento exclusivo, fortaleceu o "conciliarismo", que entendia que acima do papa havia o Concílio Geral que podia julgar e depor o papa. Este Cisma foi resolvido no Concílio de Constança, onde os 3 reclamantes do papado foram obrigados a renunciar e Martinho V foi eleito papa em 1417, restaurando a unidade da Igreja;
- Com a conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, o resto do Império Bizantino caiu sob a dominação muçulmana;

2.4 - A Inquisição (Baixa Idade Média e ápice durante os séculos XVI e XVII) - Em 1229, o Concílio de Tolosa dispunha que todos os fiéis deveriam prestar a cada 2 anos juramento de renúncia a tudo que fosse contrário a fé da Igreja Católica Apostólica Romana, isso devido as inúmeras ideologias e heresias perigosas existentes na época.

Para os crimes comuns já haviam os tribunais civis da Idade Média e contra as ameaças espirituais foram criados os tribunais responsáveis por este encargo.

No século XI, surgiram os cátaros, que rejeitavam a face visível da Igreja e também as instituições básicas da vida civil como o matrimônio e o serviço militar. Estes provocavam tumultos, ataques a Igreja e incitavam o povo. Precisamos lembrar que naquela época era lícito reprimir pelo uso da força quando elas ameaçavam a segurança do povo e da ordem civil e religiosa.

Baseado nestas considerações, o papa Gregório IX criou oficialmente a Inquisição que perdurou até 1834.

Em alguns locais e ocasiões, os membros da Igreja eram iludidos por governos, que para alcançarem seus objetivos e até com a cobiça por terras e posses taxavam as oposições como heresias, que eram perseguidas pela Inquisição e, caso condenados, perdiam seus bens em benefício dos acusadores.

Logicamente, não podemos julgar os acontecimentos de outrora com o conhecimento e diplomacia do nosso tempo, mas usar estes acontecimentos como escola, ensinando-nos mais uma vez que o cristianismo não pode ser imposto, mas fruto de um encontro com Jesus.

Por outro lado, muitos desfocam a Inquisição do contexto social, temporal, cultural e religioso que aconteceu e, analisando e interpretando-a de maneira equivocada acusam e escarnecem da Igreja. Reconhecendo isto, o papa João Paulo II, na celebração do jubileu do ano 2000, pediu perdão publicamente pelos erros cometidos pelos filhos da Igreja.

3 A IGREJA NA IDADE MODERNA -

3.1 - A Reforma - Um dos momentos marcantes da história, a chamada Reforma começa com o protesto de Lutero em 1517 sobre a pregação das indulgências, cujos pregadores faziam o possível para arrecadarem dinheiro para as obras para a construção da nova Basílica de São Pedro em Roma. Este protesto gera o impasse entre Lutero e o Papa.

Príncipes do centro e do norte da Alemanha que protestavam contra o Papa e o Imperador apoiaram Lutero e por isso seus seguidores foram chamados de 'protestantes'. Aderiram a este movimento alguns países menores da Europa, além de Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia e desencadeou inúmeras revoltas que culminaram com a destruição de templos, profanação de sacrários e altares e um sem número de mortos.

3.2 - Algumas Consequências da Reforma - O fortalecimento do individualismo e do subjetivismo levaram o homem a distanciar-se da comunidade e, ao contrário do que os reformadores planejavam, a obra de Lutero levou a inúmeras divisões da cristandade e o surgimento de um sem número de comunidades eclesiais e seitas com diferentes doutrinas e costumes. Podemos destacar:

-Na Suíça, Calvino e Zwinglio iniciam o movimento que dá origem a Igreja Reformada, que se expandiu na Suíça, Alemanha, França e Holanda.
- Na Escócia, John Knox inicia um movimento que dá origem a Igreja Presbiteriana;
- Na Inglaterra, após o episódio em que o rei Henrique VIII rompe com Roma por não obter a declaração de nulidade do seu matrimônio com a rainha Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bojena, é criada a Igreja Anglicana. O primeiro-ministro do rei, Thomas More, foi executado por se manter fiel a fé Católica.

3.3 - Uma Reformulação Católica: A Contra-Reforma - Através do Concílio de Trento (1545-1547; 1551-1552; 1562-1565) a Igreja busca restabelecer a unidade.

Na primeira fase (1545-1547) redefiniu-se o cânon das Sagradas Escrituras e declarou-se a a Vulgata, tradução latina, era totalmente isenta de erros teológicos. Definiu-se que o bispo deveria residir em sua diocese. Tratou-se também sobre os sacramentos, a justificação e o pecado original.

Na segunda fase (1551-1552) tratou-se dos sacramentos.
- Eucaristia: foram promulgadas verdades sobre a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados, sobre a transubstanciação e sobre o culto;
- Penitência: foram promulgadas verdades sobre a necessidade, partes essenciais e a satisfação;
- Unção dos Enfermos: foram promulgadas verdades sobre a origem, o ministro, seus efeitos e o sujeito do sacramento.

Na terceira fase (1562-1565) foram promulgadas verdades sobre: O Santo Sacrifício da Missa, os sacramentos da Ordem e do Matrimônio, sobre o Purgatório, sobre as imagens, sobre a invocação dos santos e resoluções sobre os religiosos e religiosas.

Frutos desta Contra-Reforma podemos citar o surgimento de novas ordens religiosas bastante ativas como os jesuítas e os capuchinhos e a retomada das missões na África e Ásia e o início das missões na América.

3.4 - Mudanças no Rumo da Humanidade - Na Idade Moderna, o Iluminismo, partindo da Holanda e Inglaterra viria a provocar muita luta tanto a nível intelectual como político. Seu objetivo era colocar o homem, enquanto ser racional, no centro de todos os esforços.

Baseado nisto, surge a Revolução Francesa em 1789 e dela acabam sendo alimentadas as ideias revolucionárias em outros povos.

O período que vai da Revolução Francesa até a primeira Guerra Mundial (1914) é um período marcado por movimentos de liberdade e de industrialização devido a chamada Revolução Industrial iniciada no Reino Unido. Com este cenário em que o homem passa a ser simples "assalariado", preocupada com a "questão social", surge uma oportunidade especial para a mensagem da Igreja. Este foi o período em que o povo de Deus mais se congregou em torno do Papa, sendo que em 1891 o papa Leão XIII escreve a Encíclica "Rerum Novarum", a primeira encíclica social da Igreja.

5 CONCLUSÃO -

Com isto terminamos nosso segundo capítulo, UFA!!!. No próximo capítulo trataremos da Igreja no século XX e no início do novo milênio. Te encontro lá!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Slide - Apostila MB 7 - Igreja - Capítulo 1

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos ajude a vivermos como realmente somos: membros do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja!

Estamos na reta final das apostilas do módulo básico de formação, restando apenas mais 2 módulos, Igreja e Doutrina Social! Em IGREJA veremos o que é a Igreja (com 'I' maiúsculo, e não igreja com 'i', como apenas um lugar, uma casa de oração), sua história ao longo dos séculos, sua estrutura e organização, a economia sacramental e o leigo comprometido com o seu chamado.


Neste primeiro capítulo vamos falar do que é IGREJA, seu conceito segundo a Palavra de Deus e a Sagrada Tradição.

Para muitas pessoas, ao longo dos séculos, a Igreja era apenas um templo, uma casa, ou uma estrutura formada apenas pelos membros ordenados (papa, bispos e sacerdotes). Após o Concílio Vaticano II esta mentalidade foi se esvaindo e muitos começaram a reconhecer que cada batizado é parte integrante e essencial da Igreja e como tal responsável pelos acontecimentos que a envolvem.

A Constituição Dogmática Lumen Gentium (LG), em seus números 6 e 7 vai nos conceituar a Igreja como:
- Redil de Deus;
- Campo de Deus;
- Construção formada por pedras vivas;
- Esposa Imaculada do Cordeiro Imaculado;
- Corpo Místico de Cristo.

E São Paulo, em suas cartas, vai conceituar a Igreja como Novo Israel (Rm 11, 17-18), Corpo de Cristo (I Cor 12, 13) e Templo do Espírito Santo (II Cor 6, 16). Vamos aprofundar em cada caso.

1 IGREJA - POVO DE DEUS - A Igreja é o povo de Deus que caminha em direção a Jerusalém Celeste, um povo escolhido que reconhece um único Rei e Senhor. Este povo é a Igreja, "instrumento de redenção universal enviado ao mundo inteiro como luz do mesmo mundo e sal na terra" (LG 9).

1.1 - Denominação: Igreja vem de 'ekklésia', que procede do grego 'ek-kalein', que significa chamar fora, convocar, assembleia daqueles que foram chamados. Este termo era usado no Antigo Testamento quando o povo de Israel era chamado a se reunir em assembleia diante de Deus. No Novo Testamento, a primeira comunidade cristã se denomina Igreja, reconhecendo herdeira dessa assembleia.

1.2 - Designação:  Ao longo de toda a história do povo hebreu, Deus vai se manifestando e congregando a sua Igreja. Entre estes acontecimentos, podemos citar no Antigo Testamento:

a) Gn 1, 26-27 - Origem do povo de Deus com a criação do mundo e do homem;
b) Gn 12, 1-4 - Deus chama Abraão para ser pai de uma multidão;
c) Gn 14, 17-20 - Melquisedec, rei de Salém e sacerdote de Deus altíssimo oferece vinho e pão, personificando a figura do próprio Cristo;
d) Gn 21, 1-8; Gn 25, 19-28, Gn 29, 31-30,24 - de Abraão nasce Isaac, de Isaac nascem Esaú e Jacó e de Jacó nascem 12 filhos que dão origem as 12 tribos de Israel, a sua Igreja;
e) Ex 2, 23-25; Ex 3, 7-10; Ex 12, 50-51 - O povo de Deus oprimido no Egito recebe um libertador que seguindo alcançam a libertação do jugo da escravidão;
f) Ex 24, 4b-8 - O sangue da Aliança é aspergido sobre o povo (a Igreja);
g) Ex 25, 21 - A Arca da Aliança continha o testemunho de Deus, no sacrário a Nova Arca da Aliança contém o próprio Cristo;
h) Js 11, 1-3 - O povo de Deus recebe o cumprimento da promessa, a terra prometida;
i) Js 24 - A Igreja se reúne para ouvir os ensinamentos de Deus através de Josué;
j) Ne 8, 1-3.9-10 - O povo se reúne como um só para escutar o sacerdote Esdras lendo o Livro da Lei.

No Novo Testamento, a palavra Igreja passa a designar não somente a assembleia litúrgica, mas a comunidade local  ou a comunidade universal dos crentes, um povo Sacerdotal, Profético e Régio. Esse povo de Deus tem 7 características que o diferenciam de qualquer outro povo:

1 - Ele é o povo de Deus, uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa (I Pd 2, 9);
2 - A pessoa se torna membro deste corpo por meio do Batismo;
3 - A cabeça deste corpo é Jesus;
4 - A condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus;
5 - Sua lei é o mandamento de amar como Jesus amou;
6 - Sua missão é ser sal na terra e luz no mundo (Mt 5, 13-14);
7 - Sua meta é o Reino de Deus;

1.3 - Projeto de Deus: Desde a origem do mundo a Igreja foi prefigurada. Ela foi preparada através de toda a história do povo de Israel, desde a queda dos anjos e o pecado. Foi fundada por Jesus nos últimos tempos, sendo Ela o Reino de Cristo já misteriosamente presente. Ela se manifesta publicamente na ocasião de Pentecostes e será consumada quando Cristo retornar gloriosamente.

1.4 - Seu caminhar na história do mundo: Como estrangeiro em nação estranha a Igreja avança, reconhecendo-se como que no exílio, longe do Senhor. Este é justamente o grande desafio da Igreja, relacionar-se com a sociedade, com suas características, mas sem perder sua identidade e sua missão de ser Sacramento universal da Salvação.

2 IGREJA - CORPO DE CRISTO - Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo se tornam intimamente unidos a Cristo, e esta unidade do corpo não acaba com a diversidade  ou atitude dos membros, mesmo que sejam atitudes de contra-testemunho.

2.1 - Comunhão dos Santos - A comunhão dos santos é precisamente a Igreja, assembleia de todos os santos e envolve 2 significados:

a) A comunhão dos bens espirituais: Envolve a comunhão da fé recebida dos apóstolos, a comunhão dos sacramentos, a comunhão dos carismas e a comunhão da caridade (dos bens materiais).

b) A comunhão entre a Igreja do Céu e da Terra: Enquanto caminhamos aqui neste mundo somos a Igreja Militante, as almas dos fiéis que estão no purgatório é a Igreja Padecente e, os que alcançaram o céu e a alegria eterna formam a Igreja Triunfante. Todas estão em unidade, um só corpo, afinal Jesus vence a morte.

Nesta unidade, a Igreja Triunfante intercede pela Igreja Militante, que também intercede pela Igreja padecente.

3 IGREJA - TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO - o Espírito Santo faz da Igreja "o Templo do Deus Vivo", santificando-a. Por sua vez, o Espírito Santo convence os homens, operando interiormente a salvação conquistada por Jesus, arregimenta  a Igreja e a põe em marcha missionária até que Cristo volte.

4 NOTAS DA IGREJA - A Igreja Católica tem algumas peculiaridades que deixam claro que Ela foi fundada por Jesus Cristo. Ele, pelo Espírito Santo, nos dá a sua Igreja.


a) Una - A Igreja Católica é una, isso é, Ela prega a mesma fé, administra os mesmos sacramentos, celebra a mesma liturgia, reconhece o mesmo chefe, é fundada por um só Senhor, conduzida por um só Espírito, um só Batismo, governada por um só episcopado (unido ao Santo Padre) e possui uma só finalidade que é levar os homens a santificação para a Glória de Deus.

b) Santa - A Igreja Católica é santa no seu Fundador, santa no seu fim que é a santificação dos homens para a glória de Deus, santa nos seus meios que são os sacramentos, santa na sua doutrina que é a mesma dos apóstolos, santa nos seus membros, pois todo cristão que vive em estado de graça é santo.

c) Católica - A Igreja é Católica, do grego 'katholikós' que quer dizer universal. Ela é universal porque Cristo está presente e Ele a envia a todo o gênero humano sem distinção de pessoas. É católica porque sua doutrina é universal, onde toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja, portanto, "fora da Igreja não há salvação".

d) Apostólica - A Igreja Católica foi fundada sobre o "fundamento dos apóstolos", Ela conserva e transmite os ensinamentos dos apóstolos (Sagrada Tradição) e Ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos (bispos) até que Cristo volte.

5 CONCLUSÃO - Muitos querem uma Igreja mais democrática, mas isso faria da Igreja uma assembleia de homens guiados por si mesmo, e não a Igreja que amamos. Paulo VI  vai dizer:
"A Igreja! Ela é nosso nosso amor constante, nossa solicitude primordial, nosso pensamento fixo! Não se ama a Cristo se não se ama a Igreja; e não amamos a Igreja, se não a amamos como a amou o Senhor; 'amou a Igreja e por ela se entregou (Ef 5,25)'"
Outra citação:
"Muitos querem hoje dizer Sim à Cristo, e Não à Igreja, mas isso afeta a própria identidade do Cristianismo. Quem pergunta 'Por que a Igreja?', incorre no mesmo erro de quem pergunta 'Por que Cristo?' Cristo veio do Pai e deixou a Igreja".
Documento de Aparecida, 156

Com isto terminamos nosso primeiro capítulo da apostila de 'IGREJA'. No próximo capítulo veremos 'A História da Igreja', onde veremos a história desde os primeiros cristãos até o século XX. Vamos lá ao longo de mais uma apostila!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"
Capitulo 1 Conceito de Igreja from Klaus Newman

segunda-feira, 20 de março de 2017

Slide - Apostila MB 6 - Liderança - Capítulo 8

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos livre de todo desânimo e do mal da improvisação!

Última etapa de nossa caminhada no módulo LIDERANÇA, falaremos agora de 2 males que atrapalham a caminhada de qualquer servo e principalmente os líderes cristãos: 'o desânimo e a improvisação'. Vamos lá, animados pelo Espírito Santo.


1 O DESÂNIMO - O fato de estarmos no mundo não nos faz 'mundanos'. Porém, ainda somos seduzidos por tentações e somo infligidos por males frutos do pecado original. Entre estes males, podemos citar o desânimo que infelizmente ocorre na vida de muitos líderes de maneira frequente.

Embora seja difícil muitas vezes vencer a tentação, precisamos viver em paz 'sob a proteção da graça de Deus, que nos fará preparados e resistentes para o 'impacto' que vier e capazes de superá-los. Este entendimento é necessário pois a medida que o cristão vai amadurecendo na fé e no amor ao Senhor, seu encontro com as cruzes do dia a dia vai se tornando mais frequente e doloroso, gerando assim maior resistência de nossa parte para vivermos as atitudes de fé maiores e mais aflitivas que Deus nos chama.


O Grupo de Oração tem a finalidade principal de louvar o Senhor e testemunhar sua graça e, posteriormente, desenvolver a vida espiritual dos participantes. Quando o desânimo age nestas finalidades, o grupo vai se arrefecendo até chegar ao limite perder sua finalidade.

Podemos citar algumas causas que atrapalham a caminhada do GO e nossa pois geram o desânimo:

a) O sentido do fracasso - precisamos entender que o fracasso, apesar de difícil, é parte de nosso aprendizado e caminhada. Inclusive Jesus experimentou o fracasso no episódio de sua Paixão;

b) Assédio da desesperança - quando deixamos a desesperança assumir nossa vida, uma série de efeitos também acontecem em nossa vida espiritual: atitude negativa ante o fracasso e as pessoas; distorção dos juízos e valores no ceticismo, insatisfação, passividade, dilaceramento interior, amargura profunda, etc.;

c) O desencanto consigo mesmo - surge do sentimento de fracasso no caminho a santidade;

d) O desencanto com aqueles com quem convivemos;

e) O desencanto com os dirigentes - às vezes caímos na ilusão de que os nossos líderes e dirigentes são perfeitos, irrepreensíveis, livres do egoísmo, incansáveis, e percebemos no caminhar que eles também são falhos como nós, muitas vezes lutando contra os pecados e contra o orgulho.

Para fugirmos do desânimo, a estratégia é analisarmos nossa vida e verificarmos onde temos aberto brechas. Também convém pedirmos a ajuda e oração dos irmãos que já são maduros no caminho ou de um diretor espiritual experiente.

2 A IMPROVISAÇÃO - Muitas vezes, por inocência ou por preguiça, damos espaço a tentação e aquele que quer atrapalhar a obra do Senhor, abrindo espaço a improvisação, mal que pode fazer apodrecer o fruto que Deus plantou ou até extermina-lo.


Para vencer a improvisação é preciso primeiro fazer um rompimento psicológico e espiritual com a ocupação precedente, disponibilizar tempo para preparar. Após este rompimento, devemos nos colocar em oração, em intimidade com Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, além de também buscar a pureza de atitudes e nossa purificação espiritual.

Preparar não quer dizer eliminar o Espírito Santo e seu agir, como se fosse um engessar da graça. Preparação é mais uma etapa em que fazemos a nossa parte para não ser empecilho para Deus agir em nossos irmãos através de nós. Com isto, manteremos a divina ordem que Paulo nos fala em I Coríntios 14, versículos de 33 a 40.

Vencer a improvisação é muitas vezes uma tarefa difícil, pois são muitas as desculpas para não prepararmos: falta de tempo, um tema que estamos acostumados a ministrar, o costume e experiência em determinada função, dizeres como 'o Espírito Santo agirá', 'Ele colocará em meus lábios as palavras corretas'. Porém, temos que vencer estas desculpas, pois o que deu certo uma vez nem sempre dará em outra situação. Além disso, o Espírito sempre fará nova todas as coisas, nos tirando da rotina.

Outro ponto que nos ajuda a vencer a improvisação é a avaliação, ferramenta fundamental para melhorarmos o desempenho, corrigir falhas e crescer na fraternidade.

Com isto, terminamos nosso módulo LIDERANÇA do módulo básico de formação. Sinceramente, é uma das apostilas que mais gosto devido ao conteúdo riquíssimo que possui. Teremos uma geração de servos-líderes muito capacitados com a implantação do PROCESSO FORMATIVO em nossas instâncias.

Nossa próxima apostila, a penúltima do módulo básico, falaremos sobre a IGREJA. Você não pode perder. Até lá!!!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"


quarta-feira, 15 de março de 2017

Slide - Apostila MB 6 - Liderança - Capítulo 7

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos dê a graça para vencer as tentações!

Em nossa caminhada pela apostila LIDERANÇA, sexta apostila do módulo básico, caminhamos agora para o capítulo 7, onde trataremos das 'Tentações do Líder'. O demônio tenta derrubar os líderes pois assim, devido ao escândalo causado, consegue desanimar muitos que o acompanhavam. Vamos as principais tentações que o líder enfrenta.


1 O DESEJO DE DOMÍNIO - A ânsia de poder, de controle, de domínio que infelizmente muitos líderes acabam caindo e, através de suas ações, tirando o foco da obra de Jesus para si mesmos, desintegrando grupos e tornando a obra do Senhor infrutífera.

O líder deve sempre se perguntar:
- Estou levando os outros a uma relação mais íntima e pessoal com Cristo?
- Busco construir no amor um Grupo de Oração de louvor e amor ou um reino para mim, focado no prestígio que esse serviço me concede?
- Busco ser mais plenamente do Senhor, me capacitando para a obra que Ele me confiou?
- Estou em busca de uma fuga de minhas responsabilidades pessoais ou a satisfação de conduzir de maneira correta o Grupo de Oração?
- Me acho insubstituível e que sem mim o Grupo de Oração não funciona?

Esta ambição por poder pode ser em nível consciente ou inconsciente. Consciente quando, com total ciência, quero aproveitar-me da liderança para o meu próprio prestígio. Inconsciente quando isto não é feito com livre vontade, mas como uma queda a tentação.


Precisamos resistir e evitar esta tentação. O verdadeiro carismático tende a desaparecer cada vez mais no seu serviço para dar lugar ao Senhor e colocá-Lo no lugar que Lhe corresponde. No ENF 2017, o ENF DE OURO, os workshop's de todos os ministérios tiveram um tema em comum tratando justamente sobre isto: "Importa que Ele cresça e eu diminua". Este 'tender a desaparecer' é estar disposto a trabalhar tanto embaixo dos holofotes quanto na obscuridade.

Devemos vigiar para não cair nesta ambição e assim causar o escândalo e a queda de nossos irmãos. Lembremos sempre de Jesus, de viver por Ele e com Ele, passando pela cruz, hora pelo mistério da dor, hora pela mistério da alegria.

2 O "PARACLERICALISMO" - O paraclericalismo se dá quando a liderança dos leigos chega a duplicar ou usurpar as funções que correspondem ao sacerdócio oficial. Quando isso é desenvolvido chega-se ao extremo de reduzir o sacerdócio apenas a 'ministro de sacramentos', enquanto a evangelização, ensino, pastoral, torna-se competência dos líderes carismáticos.


Também temos o caso do paraclericalismo prático, onde se reconhece a autoridade dos Bispos e párocos, porém na prática age-se por própria conta e risco, chegando ao ponto de introduzir a RCC em paróquias e dioceses sem o consentimento dos mesmos.

Isto acontece devido a certos 'carismáticos' que, sob o pretexto de uma 'comunicação direta com o Espírito', teimam em fazer algo do próprio entendimento, por mais que o conselho, bom senso e experiência sacerdotal de muitos lhe dizem que não devem ser feitas.

3 CONCLUSÕES - Embora o Espírito se comunique conosco e possa agir através de nós pelos carismas, precisamos entender que o primeiro carisma é o apostólico, pelo qual os ordenados agem como mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo.

Pela consagração episcopal, os bispos são consagrados ao ofício de ensinar, santificar e reger o povo de Deus, em unidade com o Papa, assim como os apóstolos unidos a Pedro. Esta graça é assegurada pelas sucessão apostólica, onde os atuais bispos estão ligados através do tempo aos primeiros apóstolos para, como guardiões do verdadeiro tesouro da fé, possam exercer total discernimento para conduzir a Igreja na linha reta do ministério de Cristo.

Portanto, mesmo que sejam agraciados com o carisma do discernimento, os leigos devem entender que a instituição hierárquica é, por si só, o primeiro dos carismas.


Precisamos também ter em conta que os participantes da Renovação, sejam leigos ou sacerdotes, não são chamados a criarem uma igreja dentro da Igreja, mas chamados a viver suas atividades de maneira orgânica, enxertadas vitalmente unidas a Igreja Católica e aos seus pastores.

Isto nos garante que, livres como filhos de Deus, podemos expor nosso ponto de vista claramente, desde que esteja conforme a Sã Doutrina. Trata-se aqui de um diálogo no qual colaboramos com o melhor de nosso movimento e da iluminação do Espírito, sem luta ou discussão.

Terminamos aqui nosso penúltimo capítulo sobre LIDERANÇA, caminhando agora para a etapa final tratando sobre 'o desânimo e a improvisação'. Não desanime até lá que eu prometo que não farei nenhuma improvisação, heheh! Até lá.

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"