sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Encarte da Revista Renovação 101


Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos dê a alegria para viver o Jubileu dos 50 anos da RCC.

Desculpem a demora na postagem! Estive de férias e no #ENFdeouro. Para aqueles que não puderam estar, foi E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R! Uma experiência única e com motivações maravilhosas. Ouvir de nossa coordenadora nacional que "A formação é o futuro dos grupos de oração" não tem preço.


Espero poder retomar as postagens normalmente, se Deus quiser, hehe!

Na Revista Renovação, periódico bimestral que a RCCBrasil emite, em sua página central consta um anexo que chamamos de ENCARTE FORMATIVO que é responsabilidade do ministério de formação. Na última revista, de novembro e dezembro, fiquei responsável por escrever o encarte sobre o Jubileu da RCC. Foi difícil, pois não tinha experiência com artigos assim, mas com a condução do Espírito Santo deu tudo certo.


Como a revista já foi publicada, segue abaixo o texto do ENCARTE. Espero que gostem.


Por Klaus Newman
Grupo de Oração Ágape
Coord. Ministério de Formação da RCC Goiás

O ANO JUBILAR, O ANO DA ALEGRIA

Amados irmãos e irmãs, que a paz inquieta de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja em nossos corações.
Estamos na eminência de uma grande festa, um momento de especial importância para nós, membros da Renovação Carismática Católica (RCC) em todo o mundo: O JUBILEU DE 50 ANOS de nosso movimento que nasceu de um “desejo do Espírito Santo”, como disse nosso amado Papa Francisco.[1]
Mas, qual a importância de um jubileu? Por que esta data é diferente das outras? Em primeiro lugar, precisamos meditar na importância e no significado de Jubileu na Sagrada Escritura e ao longo da história do povo de Deus.

No Antigo Testamento
A palavra “jubileu” vem do hebraico “Yôbel”, referente ao carneiro cujo chifre era usado para anunciar um ano de festa, um ano de alegria. Este “Ano da Alegria” era proclamado no ano posterior a sete períodos sabáticos.
Após seis anos de cultivo da terra e a colheita dos frutos, era proclamado um ano sabático, um ano de descanso para a terra em que a mesma não poderia ser cultivada. Sete períodos sabáticos totalizavam 49 anos, o que recebia o nome de “Shemitá, e no ano posterior era proclamado o “Ano da Alegria”, ou ano jubilar.
No texto bíblico de Levítico podemos conferir está prática do povo de Israel:

“Contarás sete anos sabáticos, sete vezes sete anos, cuja duração fará um período de quarenta e nove anos. Tocarás então a trombeta no décimo do sétimo mês: tocareis a trombeta no dia das Expiações em toda a vossa terra. Santificareis o quinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as suas terras e para a sua família. O quinquagésimo ano será para vós um Jubileu: não semeareis, não ceifareis o que a terra produzir espontaneamente, e não vindimareis a vinha não podada, pois é o jubileu que vos será sagrado. Comereis o produto de vossos campos.
Nesse Ano Jubilar, voltareis cada um à sua possessão. Se venderes ou comprardes alguma coisa de vosso próximo, ninguém dentre vós cause danos ao seu irmão (...). Ninguém prejudique o seu próximo. Teme o teu Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus.[2]

Podemos verificar que o quinquagésimo ano não é uma data apenas simbólica ou alegórica como tem se tornado muitas das datas comemorativas do ano civil e, algumas vezes, até do religioso. Podemos perceber a cultura do materialismo e do descartável no nosso meio, sendo que as comemorações tem dado lugar a apenas feriados prolongados, sem sentido e sem significado. Nosso coração de cristão se entristece com a realidade vazia que se tornou o natal e a páscoa de muitos irmãos que ainda não conheceram o Senhor. Porém o jubileu judaico, ao contrário, tem relação direta com o sábado, o dia do repouso, por isto envolve muitos princípios e valores vitais para o povo de Israel que podem nos orientar para este nosso ano. Vejamos alguns destes valores:
1. A soberania de Deus, na qual reconhecemos que Ele é o Criador e Senhor da Terra e de cada ser humano. Desta afirmação podemos deduzir que o homem não pode apropriar-se da terra, levando-nos a compreender que nossos olhos precisam se voltar para o céu e reconhecer que somos apenas hóspedes nesta terra, administradores dos bens celestiais, “a terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha, e vós estais em minha casa como estrangeiros e hóspedes”[3]. Logo, somos cidadãos do céu e nossa submissão é ao Pai que está no céu e não as coisas materiais.
2. Dar o devido descanso à terra, não explorando-a indiscriminadamente. Papa Francisco tem nos orientado a este respeito em sua encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum que “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7)”.[4] A afirmação de que a terra é um dom de Deus para as necessidades da pessoa humana nos leva a compreender que a mesma pertence a todos e para todos e qualquer esforço de monopólio que negue ou bloqueie este destino universal é pecado contra Deus e contra o próximo. A justiça, coração da mensagem bíblica, consiste em reconhecer o amor gratuito de Deus no mundo e cooperar com ele fazendo com que a justiça seja o modo de ser e de agir. Segundo o profeta Isaías, é da “justiça”, isto é, da ação justa, da retidão, que nasce a paz, a plenitude dos bens para todos.[5]
3. Devolver a propriedade aos proprietários originais, restabelecendo a justiça original, ou seja, devolver o que é de Deus a Deus e o que do irmão ao irmão. O que é de Deus? Nossa vida, nosso trabalho, nossa família, nosso chamado, nosso coração, nosso ministério e tudo mais que temos e que julgamos ser donos, mas que nos foi dado como presente por Deus. E o que é do nosso irmão? O amor, a compaixão, o perdão, a compreensão, o conselho e até os carismas, que são “manifestações extraordinárias do Espírito Santo para proveito comum”.[6]
4. A gratuidade. Quando afirma-se que o homem vive em uma terra que não é sua, mas que pertence a Deus, que somos hospedes Dele, percebemos que somos frutos de Sua graça ou gratuidade, ou seja, do amor sem interesse do Senhor. Este princípio precisa orientar nossas ações, a gratuidade e não a reciprocidade. Ser recíproco é dar o que se recebe. Gratuidade é dar sem esperar ou receber nada em troca.
5. O perdão. O início do Ano Jubilar, ou “Yôbel”, coincidia com a festa judaica “Yom Kippur”, a grande festa da reconciliação: “Tocarás então a trombeta no décimo do sétimo mês: tocareis a trombeta no dia das Expiações em toda a vossa terra”[7]. Com isto era instituído a possibilidade de um novo início, rompendo não somente com a injustiça e a desigualdade social, mas, principalmente, com a própria culpa, prefigurando o que viria a ser a expiação definitiva em Cristo Jesus. Alguns estudiosos apontam que a palavra “Yôbel” tem ainda outro significado, que seria o verbo hebraico “trazer de volta”, pois no ano jubilar os escravos voltavam a seu estado anterior de liberdade, não sendo mais servos de homens e sim apenas do Criador e as terras também voltavam aos proprietários originais.

No Novo Testamento
Tudo no Antigo Testamento aponta para a pessoa de Jesus Cristo. A voz dos profetas constantemente evocavam a vinda do tempo messiânico, tempo em que Deus enviaria o Ungido (Messias) e tudo seria novo, segundo o querer e a bondade de Deus: prosperidade, harmonia, fim dos sofrimentos e da violência. Era uma visão do futuro, inspirada na ordem estabelecida por Deus e quebrada pelo pecado. As práticas do Antigo Testamento também não são fatos isolados, mas entram no plano da salvação e apontam para o Redentor, Salvador, Libertador e Messias, Jesus Cristo.

“Jesus dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir. ”[8]

Jesus é o jubileu que se cumpre, a grande alegria do povo de Deus. Nele se cumpre os princípios do jubileu judaico: Ele é o Senhor soberano[9], o Sol da Justiça[10]. Nele recebemos o perdão dos pecados[11], a reconciliação com Deus[12], nos tornamos filhos de Deus[13] e irmãos uns com os outros. Nele somos libertos da culpa, somos libertos do pecado que nos fazia escravos,[14] libertos pelo amor gratuito de Deus manifestado Cristo. Por isso, nossa alma glorifica ao Senhor e nosso espírito exulta de alegria[15], porque Ele é “o ano da graça do Senhor”!
Sendo plenificado em Jesus, a prática do Jubileu no sentido judaico foi abandonada pelos cristãos, sendo que no decurso do primeiro milênio não há sinais de sua prática. Porém, no ano de 1300, com o papa Bonifácio VIII, a prática do Jubileu é retomada principalmente como peregrinação e comemoração, onde os cristãos iam a Roma para visitar o túmulo dos apóstolos e pedir o perdão dos seus pecados, resgatando assim os princípios originais.
A partir deste ano, a prática do jubileu passou a se repetir com certa frequência, priorizando aspectos de indulgência, peregrinação e comemoração. Este costume intensificou-se durante o século XX inspirado pela renovação consequente do Concílio Ecumênico Vaticano II.
Até o presente momento foram celebrados 28 Jubileus oficiais da Igreja Católica, sendo um dos maiores destaques o “Grande Jubileu” proclamado por São João Paulo II na passagem do ano 2000 da Redenção. Além de uma importante data comemorativa destacou-se o desejo de conversão, renovação da fé e penitência. Outro grande destaque é o Jubileu da Misericórdia, cuja convocação foi feita pelo papa Francisco e que se encerrou no último dia 20 de novembro, tempo marcado por experiências marcantes de amor, misericórdia e conversão a Deus.

JUBILEU DE 50 ANOS DA RCC

“Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”.[16]

Como podemos ver, o JUBILEU DE 50 ANOS DA RCC não será apenas um símbolo ou uma data, mas um verdadeiro kairós, um tempo de graça para todos nós carismáticos. Será um ano de comemoração pelos 50 anos de trajetória e história de nosso movimento, cujo início convencionamos com o fim de semana de Duquesne, em fevereiro de 1967. Também será um tempo de muita escuta e retorno ao Senhor, de reconhecermos Sua soberania e buscarmos cada vez mais a condução do Espírito Santo.
Além disso, será um tempo de colhermos os frutos destes 49 anos de caminhada e dedicação. Lembremos que no ano jubilar o povo de Israel não plantava, mas colhia aquilo que dava naturalmente na terra. Neste ano jubilar será nossa vez de colhermos os frutos da caminhada e entrega de milhares de pessoas que encontraram na RCC a espiritualidade que necessitavam, frutos que o Senhor plantou.
Entre estes frutos podemos destacar a convocação do Papa Francisco para a celebração de Pentecostes na Praça de São Pedro, onde o mesmo fez questão de estar presente: “Espero todos vocês, carismáticos do mundo, para celebrar, juntamente com o Papa, vosso grande Jubileu no dia de Pentecostes, em 2017, na Praça de São Pedro![17]
Para a RCCBRASIL, tivemos a inauguração dos trabalhos para o ano jubilar no dia 09 de julho, realizada por Katia Roldi, nossa atual presidente. Através das velas jubilares, símbolo idealizado pelo conselho nacional para representar a moção de “espalhar a chama”, cada presidente estadual foi convocado a levar o fogo do Espírito Santo a seu estado e por sua vez fazê-lo chegar a todas as instâncias do movimento: dioceses, cidades, vicariatos, províncias, paróquias, e principalmente na célula fundamental da RCC, o grupo de oração[18].
Após um longo momento de oração realizado pelo Conselho Nacional da RCCBRASIL entre 21 a 25 de setembro em Brasília-DF, foi discernido que o tema que orientará os trabalhos do Jubileu é: “O Espírito Santo descerá sobre ti.”[19] São as palavras do anjo a Maria na Anunciação, afinal teve início no último dia 12 de outubro o Ano Mariano no Brasil, em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora em Aparecida. O Senhor não iria falar ao Movimento algo distante do que a Sua Igreja esteja vivenciando.
“O Espírito Santo descerá sobre ti” nos remota a uma grande certeza e ao mesmo tempo uma grande esperança. A certeza que Ele “descerá”, de que virá em grande profusão e inundará todo aquele que se abrir a graça do Pentecostes pessoal, principalmente para cumprir sua missão, como foi com Maria, com Jesus e com os apóstolos. Mas também a esperança de que esta graça se renovará a cada novo pedido. O Espírito desce sobre Maria para que conceba, mas descerá novamente no dia de Pentecostes, uma vez que a palavra nos diz que “com eles estava Maria”[20], aliás este é o tema para os encontros de Pentecostes para o ano de 2017. Temos assim a esperança de que podemos clamar esta efusão diariamente e até várias vezes no mesmo dia para cumprirmos o chamado do Senhor, até mesmo as mais árduas e difíceis missões. O Catecismo é claro em afirmar isso: “tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo intercede sem cessar por nós como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo[21].
Irmãos e irmãs, neste “Ano de Graça”, “Ano de Alegria”, “Ano de Perdão”, enfim, neste Jubileu, clamemos com ainda mais vigor: VEM ESPÍRITO SANTO, FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA! E que possamos cantar, assim como o Conselho Nacional da RCCBRASIL em sua reunião de escuta, cheios de esperança e de certeza:
Que a graça de Deus cresça em nós sem cessar,
E de ti, nosso Pai, venha o Espírito Santo de amor,
Pra gerar e formar Cristo em nós!

Que Nossa Senhora Aparecida interceda por nós!


[1] http://www.rccbrasil.org.br/espiritualidade-e-formacao/palavra-do-papa/1232-papa-francisco-a-renovacao-carismatica-e-uma-corrente-de-graca-para-a-igreja.html
[2] Lv 25, 8-17
[3] Lv 25, 23
[4] Laudato Si, 2
[5] Is 32, 15-20
[6] Apostila módulo básico 2, Carismas, página 12
[7] Lv 25,9
[8] Lc 4, 16-22
[9] Fl 2, 10
[10] Ml 4, 2
[11] Ef 1, 7
[12] Hb 9,12
[13] I Jo 3, 1
[14] ICor 7, 21s
[15] Lc 1, 46s
[16] Lc 1, 35
[17] http://www.rccbrasil.org.br/espiritualidade-e-formacao/palavra-do-papa/1232-papa-francisco-a-renovacao-carismatica-e-uma-corrente-de-graca-para-a-igreja.html
[18] Apostila módulo básico 3, Grupo de Oração, página 09
[19] http://www.rccbrasil.org.br/institucional/index.php/artigos/1124-o-espirito-santo-descera-sobre-ti-e-o-tema-da-rcc-para-2017
[20] At 1, 14
[21] CIC 667

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Slide - Apostila MB 5 - Santidade - Capítulo 3

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos auxilie a cumprir seus mandamentos!!

No capítulo anterior falamos de "Felizes e Santos" onde percebemos que o caminho para a SANTIDADE passa pelas bem-aventuranças e seu exercício nos leva a felicidade. Agora vamos para o terceiro capítulo, onde veremos a "Pedagogia da SANTIDADE". Os tópicos são os seguintes:

1 INTRODUÇÃO - Uma grande dúvida que temos no caminho da SANTIDADE é a mesma do jovem do Evangelho de Mateus 19, 16-19: "O que devo fazer para ter a vida eterna?". O interessante nisto é que para fazermos a vontade de Deus precisamos ter a orientação de Deus e esta orientação nos é dada através da Igreja.

"É em Igreja, em comunhão com todos os batizados, que o cristão realiza a sua vocação. Da Igreja recebe a Palavra de Deus, que contém os ensinamentos da 'lei de Cristo'. Da Igreja recebe a graça dos sacramentos, que o sustenta no caminho. Da Igreja aprende o exemplo da santidade; reconhece a sua figura e a sua fonte em Maria; a Virgem Santíssima; discerne-a no testemunho autêntico daqueles que a vivem, descobre-a na tradição espiritual e na longa história dos santos que o precederam e que a Liturgia celebra no ritmo do Santoral".
CIC 2030

A Igreja nos ensina o caminho que Deus ensinou nas escrituras para a SANTIDADE: Os Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja e os Conselhos Evangélicos.


2 OS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS - Os mandamentos são escritos no coração do homem e tem a capacidade de iluminar as escolhas cotidianas do indivíduo e da sociedade. Neles não há um escravidão mas uma liberdade proporcional a medida que os aceitamos e praticamos em nossas vidas.


Jesus não veio abolir os mandamentos da lei, mas leva-los a plenitude ligando-os ao amor a Deus e ao próximo sob a força e orientação do Espírito Santo. Enquanto no Antigo Testamento a lei se tornará apenas um conjunto de regras, em Jesus elas tem um princípio diretor que é o Amor e também um Consolador para que seja possível vive-la, o Espírito Santo.

Os mandamentos da lei são listados em Êxodo 20, 1-17 e sua explicação se encontra no Catecismo em toda a sua terceira parte, dos parágrafos de 1691 a 2557.


a) "Amarás o Senhor teu Deus com todo o seu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças" - Significa amar, esperar e crer em Deus com todo seu esforço, prestando somente a Ele o culto de latria (adoração) que lhe é devido, renunciando a todo tipo de idolatria, superstição, adivinhação e magia.

b) "Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus" - Significa não praticar o perjúrio, nem a blasfêmia. Isto envolve o nome de Deus mas também o nome de Jesus, de Maria e dos Santos.
Deus nos conhece pelo nome, por isto o nome do cristão é santo e deve expressar a sua fé e honra a Deus, evitando qualquer tipo de apelido e zombaria com o indivíduo.

c) "Santificar o dia do Senhor e as festas" - O Senhor mandou santificar o sábado, porém a ressurreição de Jesus inaugurava o início de uma nova criação, por isso o dia do Senhor passou a ser celebrado no dia da ressurreição de Jesus, ou seja, no domingo. Este dia deve ser guardado no louvor, no repouso e no encontro com Deus e com os irmãos.

d) "Honra teu pai e tua mãe" - Depois de Deus, os pais são aqueles que mais devem receber honra, e isso quer dizer obediência, colaboração, respeito e gratidão. Os pais devem introduzir os filhos no discipulado de Cristo e todo cristão é chamado a defender a família!

e) "Não matarás" - "Toda vida humana, desde a concepção até a morte é sagrada porque a pessoa humana foi querida por si mesma à imagem e semelhança do Deus vivo e santo", conforme nos diz o Catecismo 2319. Isto envolve também as situações polêmicas de eutanásia, suicídio, pena de morte e aborto.

f) "Não cometerás adultério" - O amor é a vocação fundamental e original do ser humano e o homem e a mulher realizam plenamente este chamado com o matrimônio, implicando-lhes um amor fiel e de guarda-lo indissolúvel. Porém, este mandamento envolve também outras proibições como a masturbação, fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais.

g) "Não roubarás" - Tomar de maneira injusta aquilo que pertence ao próximo, ou mesmo prejudicá-lo ou lesá-lo nos seus bens e direitos.

h) "Não apresentarás um falso testemunho contra o teu próximo" - Nos proíbe de enganarmos o próximo, faltarmos com a verdade que lhe é direito, preconceitos, difamação e até faltar com testemunho a Deus. Todo pecado de difamação e mentira contra o próximo impõe o dever de reparação, mesmo que o autor já tenha sido perdoado.

i) "Não cobiçar a mulher do próximo" - O batizado deve lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas através da castidade, da pureza de intenção, do olhar, do pensamento, da imaginação e pela oração.

j) "Não cobiçarás coisa alguma que pertença ao teu próximo" - Nos leva ao afastamento do desejo de apropriação desmedida daquilo que não nos pertence, da ambição desordenada do poder e das riquezas e da inveja contra o próximo.

3 OS MANDAMENTOS DA IGREJA - Os mandamentos da Igreja envolvem a moral em relação a vida litúrgica do cristão.

"O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo".
CIC 2041


a) "Participar da missa inteira nos domingos e dias de guarda" - levando os fiéis a tomarem parte da celebração eucarística e se reunirem na comunidade cristã;

b) "Confessar ao menos uma vez por ano" - assegurando a preparação para a Eucaristia;

c) "Comungar ao menos pela Páscoa da ressurreição" - garantindo um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor;

d) "Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja" - determinando os tempos de ascese e penitência em preparação para as festas litúrgicas;

e) "Atender, conforme sua capacidade, as necessidades materiais da Igreja".

4 OS CONSELHOS EVANGÉLICOS - Expostos por Jesus em Lucas capítulo 4, 3-12, são 3 poderosos "sim" a Deus para vencermos o demônio e suas investidas:

a) A Pobreza - para vencer a tentação do possuir;

b) A Obediência - para vencer a tentação do poder;

c) E A Castidade - para vencer a tentação do prazer.


5 CONCLUSÃO

Portanto, temos uma direção, uma pedagogia para sermos santos. Quanto mais dizemos sim a Deus e vivemos Suas orientações em todos os lugares e situações, mais cumpriremos a Sua vontade!

No próximo capítulo falaremos dos "Caminhos para a SANTIDADE", entre eles, os sacramentos. Nos vemos lá.

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Slide - Apostila MB 5 - Santidade - Capítulo 2

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos faça felizes e santos!

No primeiro capítulo, falamos de "Esta é a Vontade de Deus: a Vossa Santificação" onde tratamos do chamado de Deus a cada um de nós: SERMOS SANTOS. Agora vamos ao segundo capítulo da apostila de SANTIDADE, módulo básico 5. Nela trataremos de "Felizes e Santos" onde abordaremos as bem-aventuranças.

Antes, coloque esta música para animar sua leitura!


Os tópicos são os seguintes:

1 INTRODUÇÃO - Nas bem-aventuranças (Mateus 5) Jesus explica a cada um, carente, pobres, nervosos, esfomeados, o caminho para a SANTIDADE e consequentemente para a felicidade, afinal, ser bem aventurado, ser feliz, é ser santo. Quem faz a vontade de Deus caminha para ser santo e feliz!


2 AS BEM-AVENTURANÇAS - São promessas paradoxais que sustentam a esperança durante as tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos. "Respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo" (CIC 1718). Não podemos entendê-las com nossa inteligência pois resultam de um dom gratuito de Deus. Vamos falar de cada uma das bem-aventuranças apontadas por Jesus:


a) "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5, 3) - Pobres são todos os que são destituídos dos seus bens, e procuram refúgio em Deus sabendo que quem tem Deus não tem falta de nada!

Estamos falando aqui de pobres de espírito, que para um judeu, na época de Cristo, significa pessoa cheia da presença de Deus. São pobres não por não terem nada, mas por não terem medo de perder nada pois confiam totalmente em Deus.

b) "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mt 5, 4) - Jesus consola diante de tudo aquilo que faz chorar, entristecer, sofrer, afligir, como diz Paulo: Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada (Rm 8, 18).



c) "Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra" (Mt 5, 5) - Ser manso é renunciar a qualquer direito e defesa por amor a Cristo, mesmo quando injustiçado. Também é não julgar apressadamente e não agir por impulso a uma agressão ou ofensa. É, sendo forte em Deus, vencer o mal pelo bem (cf. Rm 12, 17). Isso é difícil, pois nossos orgulho e amor próprio geram revolta quando são ofendidos, porém "aquele que odeia a correção segue os passos do pecado"(Eclo 21, 7).

 O manso possui a paz porque nunca se perturba pois está firme em Deus, seguindo o exemplo de Jesus, que é manso e humilde de coração e nos ensina a amar nossos inimigos. Portanto, a mansidão deve ser vivida em pensamento, palavras e também por atitudes.

d) "Bem-aventurados os que têm forme e sede de justiça, porque serão saciados" (Mt 5, 6) - Felizes os que buscam, se empenham e desejam que o plano de salvação de Deus se realize em suas vidas e no mundo. A justiça faz parte do Amor de Deus, do amor que Deus tem por cada ser humano. Quando aguardamos que Deus faça justiça estamos deixando-O reinar e interferir nos fatos, estamos proclamando que Ele é o Senhor que sabe todas as coisas e como agir.

e) "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7) - Misericordiosos são aqueles que não satisfeitos e acomodados com sua própria miséria partilham da do outro. É um atributo de Deus, o Deus de misericórdia e bondade, o Pai das misericórdias (2 Cor 1, 3) que nos ensina como ser misericordiosos "Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso" (Luc 6, 36).


f) "Bem-aventurados os puros, porque verão a Deus" (Mt 5, 8) - Só entregando nosso coração totalmente a Cristo podemos conserva-lo puro, conserva-lo totalmente reto, integro, inocente, verdadeiro e natural.

Quando falamos coração no sentido bíblico estamos falando de nosso interior. A pureza do nosso interior é para o Senhor, nosso objetivo e meta. Somos templo do Espírito Santo e quando cometemos algum pecado contra a pureza estamos entristecendo-O.

É bom ressaltar que pureza não é apenas do corpo, mas também dos sentimentos, da língua, da mente,  do olhar. Precisamos ser puros integralmente.

g) "Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5, 9) - Ser pacificador é renunciar a violência, a agressão, ao tumulto, à confusão, estando disposto a carregar sempre a cruz de Cristo, porque nela se encontra a paz. Pacificadores são chamados a levar a paz, a concórdia, a tranquilidade, a justiça, o direito, onde estiverem e através de cada palavra, de cada pensamento, de cada ideia, de cada ato, com cada reação e até mesmo na postura.

h) "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5, 10) - Denominamos de perseguidos aqueles que sofrem por causa justa, aqueles que largam tudo e sofrem pela distância e cansaço para poderem colaborar com o anúncio do Reino de Deus, como os apóstolos. Olhando desta forma, podemos afirmar que a perseguição tem um caráter beatificante para possuirmos o Reino.


3 SANTIFICADOS NA VONTADE - O que realmente tem valor não são as muitas coisas que fazemos, mas aquelas que realizamos e que realmente é da vontade de Deus, mesmo quando a Sua vontade não coincide com a nossa. Isso exige um esvaziamento de nós mesmo e só conseguimos isso a medida que nos enchemos da presença de Deus.
Santo Afonso Maria de Ligório vai dizer que "Toda SANTIDADE consiste em amar a Deus, e todo amor a Deus consiste em fazer a Sua vontade".


4 CONCLUSÃO

Você quer ser feliz??? Seja bem-aventurado! Ser bem aventurado é ser santo!!! No próximo capítulo falaremos da pedagogia da SANTIDADE. Espero vocês e que possamos ser santos e felizes!

Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Slide - Apostila MB 5 - Santidade - Capítulo 1

Paz de Jesus irmãos e irmãs!
Que Deus nos abençoe e nos encha do desejo de sermos verdadeiramente santos!

Iniciamos mais um ano e desejo a cada um de vocês o melhor do Senhor! E, providencialmente, o que Deus tem de melhor para nós é a SANTIDADE, o caminho que pode nos levar a felicidade verdadeira. E este é o tema de nossa apostila do módulo básico 5.

Em Goiás, meu estado, no início da RCC, desenvolveu-se um encontro cujo tema esta santidade e que aqui foi chamado de Seminário de Vida no Espírito Santo 3, ou apenas Seminário 3. Em muitos lugares ainda pratica-se este encontro, porém como se fosse uma continuidade da fase querigmática, sendo realizado após o Aprofundamento de Dons.

Este módulo possui 8 temas e é a maior apostila do MB. Veremos que SANTIDADE é a vontade de Deus para nós (capítulo 1), pois somente sendo santos seremos verdadeiramente felizes (capítulo 2).
Aprenderemos que a SANTIDADE possui uma pedagogia (capítulo 3) e que temos caminhos para alcança-la (capítulo 4).
Abrangeremos as virtudes e dons de santificação, ferramentas que o Senhor nos dá para sermos santos (capítulo 5) mesmo no sofrimento (capítulo 6), pois somente sendo santo conseguiremos santificar o mundo e o meio em que vivemos (capítulo 7).
Por fim, trataremos dos frutos na caminhada de santificação (capítulo 8), afinal, a árvore é conhecida pelos seus frutos.

No primeiro capítulo, falaremos de "Esta é a Vontade de Deus: a Vossa Santificação" onde trataremos do chamado de Deus a cada um de nós: SERMOS SANTOS. Vamos aos subtítulos:

1 INTRODUÇÃO - "Nós, povo de Deus, participamos de uma Igreja santa, pois o Cristo a amou como Sua esposa e por ela se entregou,... santificando-a pela Palavra e purificando-a pelo banho da água (Ef 5, 25s)". Cristo santifica a Igreja pelo Seu amor e também pela unidade, afinal a Igreja é o corpo místico de Cristo e se a cabeça é santa, logicamente por unidade o corpo tende a ser santo.


2 A SANTIDADE DA IGREJA - Segundo a Unitatis Reintegratio 3, a Igreja detém a "plenitude dos meios de salvação" e, segundo a Lumen Gentium 48, é "nela que adquirimos a SANTIDADE pela graça de Deus". Portanto, participando da Igreja e inseridos no corpo místico de Cristo, recebemos o Batismo Sacramental e nos tornamos templos do Espírito Santo que realiza em nós a obra de SANTIDADE.

Porém, não basta termos recebido o Espírito Santificador, é preciso viver como santos (Ef 5, 3). O Espírito Santo nos move a alcançarmos a plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade e isso nos torna santos, nos levando a amar a Deus com todas as nossas forças, coração e alma.

Portanto, a missão e o chamado de santidade é para todos nós: leigos, padres, crianças, idosos, homens, mulheres. Somos chamados a sermos santos na nossa vida cotidiana.

3 DEUS CHAMA A SANTIDADE - Todo homem é chamado a conhecer e amar a Deus e aqueles que fazem parte da sua família (Igreja) através do Batismo possuem um chamado mais forte, o chamado a ser santo, e Ele capacita cada um a realizar este chamado.


Só Deus é inteiramente Santo, mas nossa santidade provém de Deus, como todo brilho da lua é reflexo da luz do sol. Quanto mais próximos de Deus, mais santos seremos!

Santo vem do latim sanctus, sancire e do hebraico qãdõsh (kadosh) que significam delimitar, fixar, separar. Ou seja, santo é o que foi separado por motivos religiosos. Gosto muito do exemplo de Sansão. Muitos acham que a força de Sansão vinha dos cabelos, porém a força vinha dele ser um consagrado ao Senhor cujo voto envolvia também não cortar o cabelo. Portanto, ele perde a força quando cortam seus cabelos porque o voto é quebrado e não porque cortaram seus cabelos (veja I Reis).


Somos chamados a sermos uma nação santa, uma raça eleita (I Pd 2, 9), recuperando o que o pecado desfigurou e sendo novas criaturas em Cristo Jesus (I Cor).

4 SANTIDADE - A SANTIDADE consiste em estarmos unidos em Cristo, sendo que devemos busca-la diariamente tanto nas pequenas quanto nas grandes atitudes. Também devemos vivê-la em todos os lugares em que estivermos e formos, não nos restringindo a momentos mas verdadeiramente moldando toda nossa vida conforme o Espírito de Cristo.

5 PECADO - Nossa vocação é a santidade, porém buscá-la é lutar diariamente contra o pecado que se levanta contra Deus e quer desviar nossos corações.

O Catecismos no parágrafo 1852 vai dizer que "os pecados são obstáculos a santidade", sendo que alguns pecados são chamados de "Capitais' pois geram outros pecados. Estes pecados são 7: Soberba (orgulho), luxúria, ganância, gula, ira, inveja e preguiça.

O principal é o orgulho, pois além de ser o pecado de Lúcifer também leva o homem a achar-se como Deus, autossuficiente, seu próprio princípio, fim e meio, até o ponto do total desprezo de Deus. A virtude contrária ao orgulho é a humildade, onde o homem reconhece sua pequenez, que do pó veio e ao pó voltará.

6 VOU SER SANTO! - Não podemos perder tempo, somos chamados a dar frutos de SANTIDADE nas 24 horas do dia e é urgente, como disse São João Paulo II: "O Brasil precisa de santos, de muitos santos! A SANTIDADE é a prova mais clara, mais convincente da vitalidade da Igreja, em todos os tempos e em todos os lugares.".


7 CONCLUSÃO

Não podemos ter medo da vida em SANTIDADE, pois a SANTIDADE é a plenitude da vida!
Concluímos este capítulo do módulo básico número 5. No próximo capítulo falaremos da felicidade verdadeira que só encontramos sendo santos. Espero vocês  sejamos santos todos os dias!


Um grande abraço a todos!
"Se tem o dom de ensinar, que ensine!"